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Esta história, real, vivenciei em postos de combustíveis e, aqui, relato dois extremos.

O primeiro ocorreu quando, ao sair de um forte temporal e ter atravessado em uma área de terra, meu veículo estava com os vidros totalmente sujos e pouca visualização. Eu parei para abastecer em um posto de combustível e pedi para completar o tanque com gasolina. O frentista iniciou o trabalho e me abasteceu, sem nada perguntar sobre: a) “quer que eu verifique a água ou o óleo do motor?” e, ainda, b) “quer que eu limpe os vidros sujos?”.

Bem, esta tem sido a rotina quando vamos, em geral, aos postos de combustíveis, ou seja, o frentista atende somente o óbvio. Diferentemente, em alguns países de primeiro mundo o proprietário do veículo realiza o próprio abastecimento. Logo, não necessita dessa função.

Ainda, no caso, perguntei ao frentista se ele não gostava de caixinha. Acabei lhe explicando que, se ele tivesse uma atitude proativa e não reativa, poderia ganhar algumas gorjetas, enumerei R$ 2 x 10 atendimentos dia x 25 dias = R$ 500, provavelmente metade do salário dele, à época.

Em contrapartida, recentemente, estive num posto de combustível onde havia uma frentista, isto mesmo, do sexo feminino, e quatro veículos para abastecer. Eu lhe perguntei se era a única frentista, pois pensei: “não vou esperar”, pois estava com um pouco de pressa, como quase todos temos e, ainda viajaria e precisava realizar a calibragem dos pneus.

Ela me disse: “se o senhor tiver um pouco de paciência, eu o farei”. Com destreza, atendeu a todos de forma rápida e, ao calibrar os pneus, me falou: “se o senhor vai viajar, com sua família, é importante calibrar o pneu estepe também”.  Putz, eu nem me lembrava a última vez que o fizera.

O que podemos constatar desses dois exemplos é que a segunda frentista colocou-se no lugar do cliente, entendeu possíveis riscos na viagem e me surpreendeu e, para motivá-la, pela atitude, dei uma boa gorjeta que, diga-se de passagem, ela não queria aceitar, pois ressaltou que esse era o seu papel.

É comum muitos profissionais procurarem fazer o rotineiro, mais fácil, sem se preocupar no entendimento das necessidades e, assim, surpreender o cliente.

Esse exemplo veio de uma frentista que agiu pelo instinto de preservar a vida e eventuais problemas de seu cliente e, que eu saiba, nunca foi treinada para isso, pois seus colegas do mesmo posto de combustível, em outros atendimentos, nunca tiveram atitude similar.

José Carlos Lucentini

40 anos como principal executivo: CEO, Vendas, Marketing e Retenção de Clientes, Finanças, Controladoria, Operações, Suprimentos, Logística e PCP, Auditoria, RH, TI, em empresas multinacionais e nacionais.

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